DE VITÓRIA A ABROLHOS FEV/2002 numa Lancha 26 pés
(No final a narrativa completa da aventura de 23has-Fotos tiradas até 3m profundidade máquina Kodak descartável a prova d'água)


Dourado no Curríco na ida

Chegada na Ilha

Pescador que limpou e vendeu óleo diesel!

Ricardito e Igor

Dourado na Panela

Conserto da Lancha

Catamarã do Francês

Barco Trindade ao fundo com Helicoptero a bordo, que decolou (em cima da cabeça do barquinho de pescador)

Hélice do barco

Cardume de Xaréus


Peixes detonando o Arroz!

Os Famosos Badejões

Um Pampo!

Peruá e Cirurgião

Sargos na Pedra
   

Narrativa da Aventura:

6ª feira passada, 15/02/2002, passando por uma crise de sinusite violenta, ganhei 2 convites VIP para uma super festa da Coca-Cola na Boate Mais-Meaípe. Será que vou, será que não? Liguei para o Igor perguntando se ele também tinha ganho. Me disse que não, mas mesmo que tivesse não iria pois estava indo para ABROLHOS no Sábado, 16/02, de
lancha, saindo de Vitória. O pior, precisava, de um "marinheiro" para compor a equipe.

==> Equipe da Lancha Cabrasmar 26 "Ilha do Brasil":
Igor Verjowsky - capitão - 5 anos de experiência no barco Aventura em Abrolhos. mergulhador/caçador de apnéia
Ricardito - capitão assistente - dono de 3 barcos de pesca em Vitória, mergulhador básico autônomo Padi e caçador de apnéia

Arrumei meu material de mergulho, "chapei" no antibiótico, anti-gripal, Dramim, etc... e no sábado 7:00 da manhã estava no Iate Clube. Saimos somente as 9:00, após abastecer 4 bombonas de 50 Litros de óleo diesel
cada e gelo.

==> Duração prevista da viagem: 180 milhas náuticas (aprox. 300Km), à 15 milhas/hora - 12 horas

Na aceleração após sairmos do Iate, a lancha, uma Cabrasmar 26 pés, motor de 185hp, recém reformada, não passou de 12.0 milhas por hora. Nunca havia sido testada com tanto peso: 5 garrafas (3 de aço 15 Litros), 6 caixas de gelo, 200 litros extras de óleo, 3 equipamentos de mergulho completos, mantimentos, 150 litros de água, roupa, etc....

==> Duração prevista da viagem: 180 milhas náuticas (aprox. 300Km), à 12 milhas/hora - cerca de 15 horas

Chegando em Aracruz, a previsão de ondas/vento da Internet foram por água abaixo. Vento nordeste médio, mar ondulado. Às 13:00 não passávamos de 11 milhas/hora. Jogamos o currico na água.

==> Duração prevista da viagem: 180 milhas náuticas (aprox. 300Km), à 11milhas/hora - cerca de 17 horas

Chegando em Linhares, o motor perde rendimento. Cai para 10 milhas/hora. Abre motor, balança daqui, balança de lá, estourou a mangueira de alimentação de ar da turbina. Abusamos do silver tape. O remendo durou 40 minutos. Desmontamos a mangueira, fizemos um remendo com pano, borracha, cabos, qualquer coisa (menos camara de ar de bicicleta - oops, esqueçemos dessa peça). O conserto dura 45 minutos e o novo remendo dura 2 horas. Eram 5 da tarde, mar muito revolto, desistimos do conserto, pois um aumento nas rotações do motor não implicaria no aumento significativo da velocidade e ainda aumentaria o consumo, nessa altura preocupante, pois não sabíamos se haveria óleo diesel suficiente. Seguimos a 9 milhas por hora.

==> Duração prevista da viagem: 180 milhas náuticas (aprox. 300Km), à 09 milhas/hora - cerca de 20 horas, menos algumas horas a uma velocidade maior, em torno de 18/19 horas

Às 18:30, eu já estava deitado para evitar o enjôo há 9 horas (hehehehe), bate no currico um belo dourado de 9 Kg. Festa geral - comida! pois não havíamos levado carne, só macarrão, pão, etc... 10 minutos e o bicho colocado no gelo. O enjôo passou na hora e eu fiquei puxando o bicho na carretilha, Igor no bicheiro e Ricardito no leme. Às 19:15 o que acreditamos ter sido uma Cavala (sarda grande) arrebenta a linha do Currico! Colocamos outra linha na água.

O vento, que geralmente diminiu a noite, desta vez aumentou!!! Fazíamos 8.5 a 9 milhas por hora. A lancha navegando maravilhosamente bem enfrentando as ondas - com o peso em excesso, ela batia pouco (pam, pam , pam da proa que arrebenta o estômago).

Eram meia-noite quando acaba o óleo dos tanques. De noite, mar revolto, barco a deriva e nós transferindo o óleo das bombonas. Todo mundo enjôou respirando óleo diesel, soprando a mangueira de transferência, indo no porão pegar as bombonas... Chamei o "Raúuuullll" várias vezes. Tome Gatorade para recupar a hidratação.

Ficamos 1 hora fazendo a transferência. Ao ligar o motor, pela falta de combustível anterior, entrou "ar" no motor. Já ouviu falar disso?? Entrou ar no motor. Pois é, fiquei sabendo disso 1:00 hora da manhã, não sei onde (próximo ou após a divisa ES/Bahia), mar mexido, etc, etc, etc...

Abre motor, tira óleo diesel, enche o "Racó" - algum maldito filtro do motor, bombeia manual... na 3ª tentativa deu certo. Como o óleo gasto (menos 300Kg de peso) a lancha volta a fazer 9.5/10 milhas por hora. Um notícia BOA!!!!

Quando eram 3:00 da manhã, outra notícia boa. Faltavam "apenas" 30 milhas - cerca de 3 horas, o mar amansou um pouco e o farol de Abrolhos apareceu. É incrível, mas mesmo sabendo que faltavam só 3, foram as 3 horas mais demoradas! Quando faltavam 20, eu me conformava, Mas as últimas 3 foram terríveis, demoraram 10!

Chegamos as 6:00 da manhã, com apenas 60 litros de óleo diesel nos tanques, insuficiente para chegar a Caravelas.

==> Duração da viagem: 21 horas - média de 8.57 milhas por hora!

Cozinhamos uma macarrão e dormimos 2 horas. ABROLHOS estava indescritível: manso, limpo, vento de leste, sol, etc... aí lembrei do ditado: "SEM ESFORÇO NÃO HÁ GLÓRIA". Havia um barco de pescador quebrado na ilha, do qual compramos 50 litros de óleo e trocamos metade do Dourado pela limpeza do mesmo e uma camara de ar de bicicleta para consertarmos a mangueira furada do motor. AEstavm lá o Catamrã do Francês,
acho que com o pessoal da Atlantes, outro Catamarã - Sanuk, o TITAN, 4veleiros estrangeiros, o TEIMOSO e um super barco brasileiro chamado TRINDADE, de uns 60pés, que, babem, tinha um helicóptero na Popa que decolou por voltas das 14:00, fez um panorâmico na ilha e se mandou. Chique não!!!!

Após uma apnéiazinha no portinho e um mergulho de garrafa com os badejos também no portinho, fomos para as Cavernas da Siriba: pareciam um aquário. Ao entrar nas cavernas, parecia que dentro não havia água de tão calmo, tão claro: "após a tempestade, a bonança". Além dos badejos, siobas, frades e um cardume de imensos Xaréus e Pampos nos rodearam. Igor nunca tinha visto Pampos na Ilha!

Fizemos uma moqueca de Dourado "no choque" - no choque quer dizer - imediatamente tirada a buchada (estômago, etc...) e jogado no gelo. Maravilhoso! A noite, noturno no Portinho com os imensos Xaréus, Lagostas e claro, os Badejos. A noite, dormimos sob o céu estreladíssimo de Abrolhos.

Na 2ª feira, partimos rumo a Caravelas e paramos no meio do caminho para mergulhos em Cabeços de Coral que apareciam na sonda. Ricardito pegou um dentão de 4 Kg que foi nosso almoço: mais uma moqueca. Depois, um Badejo de 30Kg que precisou de 3 arpões para ser fisgado...

Chegamos a Caravelas por volta de 16:00. 18:00 fui para Teixeira de ônibus, mais um ônibus para Vitória noite toda... e trabalhando de volta aqui às 8:00. Acho que preferia estar partindo para Abrolhos de novo, nem que seja a 5 milhas por hora!!

Abraços,

Dam

VOLTA